Referência para modulo do projeto do conjunto habitacional

Referência de módulo para o nosso conjunto do Ribeirão da Ilha:

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Questionamentos para as diretrizes

Questão principal: como densificar sem “atrapalhar”? Como propor um crescimento de um bairro histórico sem agredir o entorno e sem haver uma invasão descontrolada do morro?

Pontos importantes para diretriz do projeto da unidade:

– Unidades modulares e retangulares;

– Possibilidade de ampliação da unidade;

– Conformidade espacial das casas açorianas: espaço mais importante: cozinha;

– Trazer melhor condições de iluminação e ventilação às unidades açorianas.

Idéias de urbanização do entorno:

1) Abertura de uma terceira via local interligando o terreno escolhido com o horto florestal, propondo um parque florestal em toda a área de contato com o Morro do Ribeirão. No horto estaria localizado a instituição de ensino integrado com o Conjunto idealizado.

2) Disposição das unidades entorno de uma praça de integração implantada no terreno escolhido.

INTEGRAÇÃO DO INTERNO COM EXTERNO: a abertura conversa com a rua, com o exterior, com o vizinho. 

Maricultura no Ribeirão da Ilha

Como mencionado anteriormente, desde o início da colonização açoriana no Ribeirão da Ilha as atividades pesqueiras se estabeleceram no local. Entre as décadas de 1970 e 1980, graças à especulação imobiliária e exploração turística que se desenvolveram em Florianópolis, houve intenso processo de urbanização, que provocou a disseminação de práticas pesqueiras industriais. Estas práticas logo foram se espalharam em outros pontos da Ilha, desestabilizando a comunidade pesqueira do Ribeirão da Ilha. Segundo o presidente da Associação de Maricultores do Ribeirão da Ilha, Ademir Dário Menezes, foi a EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – que percebendo a forte cultura marítima existente na região, introduziu a maricultura como alternativa de renda para os pescadores que já não conseguiam retirar o seu sustento da atividade pesqueira.

No início, poucos pescadores concordaram em se aventurar no desenvolvimento da nova atividade. No entanto, após menos de um ano, os primeiros a iniciarem o cultivo de mexilhões em cativeiro já estavam colhendo sua produção. Isso incentivou outros pescadores a se interessarem pelo projeto, que se estendeu também para o cultivo de ostras. Com o fortalecimento destas atividades, os antigos pescadores abandonaram definitivamente as atividades pesqueiras e a maricultura passou e a ser a principal fonte de renda e a atividade econômica do Ribeirão da Ilha, compondo uma cadeia de fazendas marinhas, restaurantes e pousadas que geram renda para grande parte da população local. Além disso, o fim das práticas pesqueiras industriais abusivas possibilitou a recuperação das espécies de peixes que estavam desaparecendo.

Segundo pesquisas, a maioria dos maricultores conta com mão de obra familiar. Quando há participação de externos, ocorre apenas nas fases de instalação e retirada da produção do mar. Tal participação familiar resulta em maior engajamento e resultados para o produtor.

Os maricultores do Ribeirão da Ilha relataram não ter dificuldades na comercialização dos seus produtos, e se encarregam eles mesmos desta atividade, sem necessidade de envolvimento de auxiliares. No entanto, eles ainda encontram dificuldades no escoamento de sua produção.

Visando facilitar a realização da atividade maricultora e a comercialização dos produtos, em 2001 foi criada a COOPERILHA – Cooperativa Aqüicola da Ilha de Santa Catarina. A Cooperilha atua produzindo, fornecendo e comercializando insumos necessários para a atividade; produzindo, padronizando, armazenando, higienizando e industrializando os produtos dos associados; apoiando pesquisas na área aqüicola e promovendo cursos de capacitação para os cooperados. Quando teve início, em 2001, a Cooperilha contava com 25 associados, atualmente são 39 cooperados participando ativamente. A criação da cooperativa vem facilitando o desenvolvimento das atividades maricultoras, buscando os interesses dos associados e, principalmente, melhorando a qualidade da produção.

Assim, o aglomerado de maricultura do Ribeirão vem sendo considerado um modelo de sucesso no Brasil. O envolvimento de instituições como o SEBRAE, a Universidade Federal de Santa Catarina, a UNIVALE (Universidade do Vale do Itajaí) e a EPAGRI possibilita aos produtores maior suporte técnico e o desenvolvimento de uma atividade sustentável e menos agressiva ao ambiente natural. Além disso, a realização de um plano de marketing vem colaborando para a agregação de valor do molusco produzido em Santa Catarina e consolidando um mercado consumidor do produto.

Com a crescente exploração da atividade maricultora, alguns produtores vem deixando de comercializar os moluscos no varejo e já voltam sua produção apenas para a exportação, o que pode fazer com que a atividade perca seu caráter familiar e até deixe de ser realizada pelos moradores do Ribeirão da Ilha. Assim, nota-se a necessidade de organização dos maricultores de forma que se mantenham no seu local de origem e estejam preparados para atenderem as demandas por moluscos.

BIBLIOGRAFIA

SILVA, José da. Um Estudo de Modelos de Gestão de Aglomerados de Maricultura para a Proposição de Arranjo Produtivo Local – APL na Baía de Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ, Brasil. Dissertação de Mestrado Profissional Multidisciplinar em Desenvolvimento Local. UNISUAM, 2008.

MAGALHÃES, Angélica; SILVA, Tânia Nunes da. Gestão Cooperativa com Foco na

Qualidade de Alimentos: Um Estudo Aplicado à Maricultura Catarinense. IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão, 2008.

 

Para quê e para quem?

O questionamento de como será o futuro e do que acontecerá com Florianópolis daqui a 10, 20 anos move diariamente pesquisas e estudiosos a investigar e propor planos e metas para que esse crescimento seja controlado, abrigue a nova demanda populacional e cause o menor impacto possível à natureza. Contudo, se de um lado trabalham técnicos e estudantes dedicados a pensar o futuro da capital, de outro a ilha é dirigida por leis falhas por um plano diretor desatualizado.

Um dos projetos que lançou perspectivas para Florianópolis é o projeto Floripa 2030 – Agenda Estratégica de Desenvolvimento Sustentável de Florianópolis na Região – coordenado pela fundação Floripa Amanha. Baseando-se em dados do IBGE o projeto Floripa 2030 fez uma média da população dos distritos de Florianópolis em 2020 e 2030, conforme tabela abaixo. Para o Ribeirão da ilha foi estimada uma população residente de 42 445 mil pessoas.

Fonte Projeto Floripa 2030. Disponível em http://www.floripa2030.com.br/

Para que esse crescimento possa ser acompanhado o projeto também prevê ações a serem executadas nas regiões analisadas. Para o Ribeirão é previsto o incentivo à Maricultura, à Gastronomia e às atividades náuticas.

Estrategia 2 – Cidade Multicultural e Polinuclearidade. 2010. Fonte Projeto Floripa 2030. Disponível em http://www.floripa2030.com.br/

O objetivo é integrar a ilha e o continente através de atividade baseadas no desenvolvimento sustentável econômico produtivo, sócio cultural. Entretanto até que pontos estas estratégias se destinarão para a população residente em áreas como o Ribeirão da Ilha? O turismo em Florianópolis pode se tornar principal fonte econômica da cidade, mas as iniciativas que darão suporte a esta estrutura nem sempre levam em conta a permanência dos moradores locais.

Fator 4D

Trabalhar com o fator tempo é estudar o comportamento das pessoas, de suas atividades e necessidades e por isso se torna elemento de difícil precisão. O crescimento de Florianópolis daqui a 10, 20 anos dependerá de uma mobilidade urbana bem resolvida e para que localidades como o Ribeirão da Ilha consigam permanecer vivas não basta apenas um projeto que preserve a cultura local e deixe o local estagnado no tempo, é necessário que haja uma integração de sua malha urbana original com os novos rumos que o bairro vai criar e uma valorização de sua principal atividade econômica – a maricultura.

“Como texto social esta cidade histórica não tem mais nada de uma sequência coerente de prescrições, de um emprego do tempo ligado a símbolos, a um estilo. Esse texto se afasta. Assume ares de documento, de uma exposição, de um museu. A cidade historicamente formada não vive mais, não é mais apreendida praticamente.” (LEFÈBVRE, Henri. O Direito à Cidade)

Ou seja, é necessário manter a dinâmica do bairro que trará como resposta a permanência da cultura e o cuidado de seus moradores e visitantes com sua história.

O Projeto-modelo

Perguntas chaves: Como construir casas de alta tecnologia em uma área histórica (no Ribeirão da Ilha)? E como promover um habitat de baixo custo utilizando tecnologias sustentáveis brasileiras?

Desenvolvimento do projeto-modelo

Na tentativa de responder a essas perguntas e as demais originadas do mapa conceitual, propomos a implantação de um projeto-modelo que poderia ser edificado em qualquer outro centro histórico. O projeto-modelo esquematiza dois principais centros de funcionamento integrado: o primeiro destinado ao ensino da cultura local com suas respectivas atividades tradicionais, e o segundo, destinado a moradias fixas e temporárias.

Nesse centro educacional os professores seriam os próprios trabalhadores das atividades tradicionais, que se tornariam difusores de sua cultura, preservando-a e integrando-a com uma nova geração de aprendizes. O projeto também visa parceria com instituições de ensino superior que promoverão intercâmbio de seus alunos a esses centros tradicionais, onde a técnica e a prática aliada a pesquisa façam com que a atividade se desenvolva, onde todos os participantes se beneficiam.

O segundo centro se destina a um conjunto de residências, para moradores permanentes e itinerantes. A forma e desenho de cada conjunto, como também as características arquitetônicas, são definidas de acordo com as atividades a qual o projeto se destina. Para proporcionar a interação entre tradicional e desconhecido, promove-se a moradia conjunta, onde a cada cinco moradias permanentes uma será destinada a um usuário desconhecido interessado em conviver com a cultura local por um período pré-determinado.

Aplicação do projeto-modelo no Ribeirão da Ilha

Entendendo o Ribeirão da Ilha como um dos núcleos polarizadores da cultura açoriana e da maricultura, o projeto-modelo seria implantado como resposta às necessidades de preservação da cultura açoriana, como também à demanda de residências para os trabalhadores envolvidos na atividade.

  • Para quem?

Nossa habitação social será destinada aos maricultores da região e a estudantes que estejam envolvidos com a proposta do conjunto.

Histórico e características do Ribeirão

Um dos  primeiros povoados de Florianópolis que mantém o mais antigo e fiel valor histórico arquitetônico açoriano da ilha, sendo o principal centro histórico da cidade. É composto por diversas praias pequenas banhadas pela baía sul, com águas calmas e areia grossa e, além disso, é o maior pólo de criação de ostras do Brasil, reconhecido pela sua qualidade. Seu nome é devido a um rio, que nasce de uma forte cachoeira no Alto Ribeirão.

A chegada dos açorianos foi a partir de 1760, onde a praia, antes ocupada por Carijós, começa a receber a configuração atual e a comunidade do Ribeirão guarda o principal relicário dos traços da Colonização Açoriana do século XVIII. A localidade que chegou a receber o nome de Freguesia de Nossa Senhora da Lapa possui o morro mais elevado da ilha – Morro da Cabeça do Macaco, como 532 metros.

O distrito está a 27 km do cento, ao sul da ilha e possui uma área total de 52km² divididos em Freguesia do Ribeirão, Alto Ribeirão, Barro Vermelho, Caiacangaçu, Caeira da Barra do Sul, Carianos, Costeira do Ribeirão, Praia dos Naufragados, Praia da Tapera e Sertão do Peri. É o segundo distrito mais antigo da cidade, onde se preservam tradições como a Festa de Nossa Senhora da Lapa, Festa do Divino, produção de rendas de bilro, canoas, balaios de cipó e pesca artesanal.

Caracterizado por suas casas geminadas e alinhadas na rua fronteira ao mar e características arquitetônicas peculiares, possui dois elementos marcantes, a Igreja de Nossa Senhora da Lapa e a Sé da Paróquia, inauguradas em 1806, a base de pedra de cal e azeite de baleia. Essas edificações fazem parte de um conjunto arquitetônico preservado por lei municipal de 1975, juntamente com o cemitério, os fundos e ao lado.

A maricultura é outra característica bem valorizada na região e em constante crescimento, mas vale ressaltar que essa atividade afeta diretamente a comunidade. Como afirma,  Maria Ignez Silveira Paulil em sua tese, “com relação à maricultura como alternativa para as famílias de pescadores, em que pese sua real importância neste sentido, é preciso levar em conta  as múltiplas possibilidades de exclusão que estão aparecendo: famílias com recursos e/ou instrução insuficientes para competir com os novos interessados na atividade; população costeira pobre que vive do turismo; população afetada pela poluição ambiental; mulheres que continuam dependendo dos maridos para qualquer movimentação no espaço público; mulheres assalariadas mal remuneradas, entre outros.”

Em um estudo nos dados do IBGE, senso 2000, esse contraste entre riqueza cultural e situação sócio-econômica da população  é bem visível. A renda média mensal por responsável domiciliar no bairro não supera a média municipal, sendo metade do valor. Indicando um população de classe baixa e média-baixa em sua grande maioria. Outro relato interessante, é a inexistência de prédios, de construções multifamiliares. O estudo também é inferior a média municipal.

Desintegração da comunidade Açoriana

As bruxas foram embora e outras coisas desapareceram com elas. “Eu acho – continua a Nilza – que se acabou o pão-pordeus, porque veio a juventude com muito estudo, veio o transporte…Antes a gente vivia muito junto… Nós saía pra cidade (24 Km.) pra vender renda, de pé.”  A facilidade de transporte, segundo a Nilza, desestruturou o grupo de amizade, no qual  a brincadeira do pão-por-deus tinha um significado forte.

Primeiros imigrantes e a Arquitetura Colonial Portuguesa

 Os primeiros imigrantes vieram do arquipélago de Açores em 1748 e foram alocados em vários núcleos denominados freguesias. Com a ocupação, iniciou-se em Nossa Senhora do Desterro (antigo nome de Florianópolis) a construção das primeiras habitações em estilo português colonial ou luso-brasileiro colonial, muitas vezes erroneamente classificado como açoriano. A gerente do Sephan (Serviço do Patrimônio Histórico, Artístico e Natural) de Florianópolis, Suzane Albers Araújo, explica que a cultura da Capital é açoriana, mas a arquitetura é portuguesa. A gênese das edificações açorianas é a mesma das presentes na porção continental de Portugal.

Elementos construtivos da Arquitetura Colonial Portuguesa

Nos núcleos urbanos, os lotes eram estreitos e compridos, com uma grande profundidade. As construções ficavam alinhadas à rua e, por segurança, eram geminadas – grudadas umas nas outras -, configurando um contínuo correr de casas semelhantes. A maior parte das casas era térrea, mas também existiam os sobrados: edificações de dois pavimentos, sendo a parte inferior utilizada para o comércio. O telhado, na maior parte das vezes, era em duas águas: duas faces, uma voltada para a frente do terreno e outra para os fundos. Poucas tinha quatro águas. As construções rurais eram geralmente maiores que as urbanas.

Alguns elementos construtivos chamam a atenção, como os acabamentos dos telhados. Entre eles estão o Beira-seveira – telhas superpostas que funcionam como prolongamento do telhado. A maioria das casas era branca com as janelas e portas pintadas com cores vivas. As janelas possuíam apenas madeira. O uso do vidro já mostra uma evolução e maior poder aquisitivo.

Eram casas de porta e janela num compartimento de entrada; dali saia um corredor com um quarto ao lado atrás da primeira sala, sem janelas. Os corredores iam terminar noutra sala, a varanda, onde ia abrir outro quarto, também sem janela, os outros compartimentos do fundo que davam pro quintal .
Eram tais feitas de tijolos com traço de cal de conchas e areia, ligados com azeite de baleia, o cimento da época. A pobreza não tinha o azeite, e o traço não passava então de um barro grosso, cal areia, misturados com água: com o tempo, essa mistura se esfarelava e as paredes, sob o peso da cumeeiras de madeira pesada iam perdendo o prumo.

Mais tarde outras casas melhores, mais confortáveis, com várias janelas a frente, com caixilhos em losangos duplos e superpostos gradeados. As portas já estenham bandeiras, com motivos desenhados e as calhas aparecem. Era comum bandeira da porta com motivos ornamentais de ferro; caixilhos da janela com losangos de vidro, o beirado gotejando em dias de chuva para a rua e os ladrilhos enfeitando toda a parede frontal.

Quanto ao interior dessas casas, podemos dizer que continham geralmente grandes salas, altas e as vezes cobertas por azulejos, até a altura de um metro. Suas portas internas também são guarnecidas de bandeiras com desenhos de vidros coloridos, enquanto uma das paredes internas da sala de jantar contem as vezes, janelas internas, para permitir a passagem de luz aos quartos escuros; são fechadas por trancas, girando sobre os gonzos, ou por fechaduras enormes que pareciam garantir, com o seu tamanho, a segurança da casa.

As paredes são de boa largura, as vezes revestidas de papel decorativo importado com motivos coloridos, ou então, pintadas com barras coloridas de flores, frutas, folhagens, conforme a peça da casa.

O perfil das janelas era retangular ou em arco abatido, emolduradas em madeira ou, mais raramente, em pedra. Os pavimentos nobres podiam ter sacadas com gradis de ferro trabalhado. As janelas superiores também podiam ser cobertas com muxarabis ou treliças de madeira, enquanto que as janelas de vidro só passaram a ser comuns no final do século XVIII. Os telhados eram de duas ou quatro águas com beiral, às vezes com alguma ornamentação discreta como uma suave curvatura e telhas em bico nos cantos do telhado.

Nos fundos, fechava a fila a cozinha, a varanda alpendrada que dava acesso ao quintal, onde sempre havia um arremedo de instalação sanitária. Nos locais onde o lençol freático era profundo, havia a possibilidade de sumidouros – buracos em cima dos quais era instalada a casinha, também chamada de “secreta” ou “sentina”.

Fachadas

– A fachada básica da casa colonial era composta por uma porta (sempre frontal) e duas janelas; Embora houvesse muitas outras casas maiores, em todas elas prevalecia a métrica e os espaçamentos entre as aberturas;

– As diferenças sociais das famílias eram percebidas fortemente na arquitetura através da eira e da beira: detalhes presentes nos beiral e que eram uma forma bem clara de mostrar o poderio das famílias;

– No final do período começaram a ser utilizados revestimentos cerâmicos nas fachadas: a grande maioria dos azulejos era em tons de azul e amarelo devido aos pigmentos existentes na época;

– As fachadas dos sobrados continuam mantendo a métrica das casas térreas: as janelas dos pavimentos inferiores correspondem com as do pavimento superior;

– As casas e sobrados, com exceção dos casarões dos senhores, eram construídos lado a lado, por isso a ventilação ocorria somente em um sentido, conforme mostram as plantas;

Importância Urbano-Arquitetônica

O conjunto arquitetônico do Ribeirão da Ilha está entre os mais expressivos e antigos locais de fixação luso-açoriana na Ilha de Santa Catarina. Conserva ate os dias atuais um conjunto bastante homogêneo e integro de edificações típicas da sua época, pelo que consistem documentos vivos da história e cultura regionais.

Observando a malha urbana descobre-se a forma primitiva do traçado das vias. Percebe-se logo o modelo tradicional da colonização portuguesa: a igreja voltada para o mar, o espaço vazio à sua frente – ponto de encontro a reunião – que aos poucos tornou-se praça com as ruas, e as casinhas ao seu redor, dispostas ao longo do alinhamento. A estrutura fundamental, característica destes núcleos, definiu-se a partir de um potencial de uso do sítio natural para as atividades de pesca e de agricultura de subsistência, considerando-se a acessibilidade pelo mar; junto ao mar, em sítios mais resguardados    dos ventos característicos da região, no sopé dos promontórios, acompanhando a linha da praia e das picadas de acesso ocorreu uma ocupação tipicamente linear. Tal ocupação originou um parcelamento típico do solo com base nos minifúndios, inicialmente demarcados em função das iniciativas de utilização.

O desmembramento por herança, num segundo momento, reforçou a característica longitudinal da estrutura fundiária,  quando as propriedades foram divididas em sua testada, proporcionalmente ao número de herdeiros.

Um novo processo característico da ocupação da área corresponde ao início do uso como balneário, possibilitado pela chegada de veranistas, como resposta à notável oferta de sítio natural, evidenciada pelas praias de cenários peculiares e bastante diversificados.

Referências

LEFEBVRE, Henri; O Direito à Cidade. Editora Centauro. 5ª edição, 2008.

MACHADO, Márcia. Maricultura como base produtiva geradora de emprego e renda: Estudo de caso para o Distrito do Ribeirão da Ilha no Municipio de Florianópolis – SC- Brasil. Tese de Doutorado co Programa de Pós graduação em Engenharia de Produção, 2002. UFSC.

BUENO, Ayrton Portilho. A Premência da Paisagem no desenvolvimento sustentável da atividade turística. Tese de Doutorado em Arquitetura e Urbanismo.  USP, 2006

PAULIL, Maria Ignez Silveira. Maricultura e Território em Santa Catarina. – Brasil. Caderno de Pesquisa – PPGSP – UFSC, nº 31, agosto de 2002. Disponível em: http://www.sociologia.ufsc.br/cadernos/Cadernos%20PPGSP%2031.pdf Acesso em setembro de 2011.

Moradores do Ribeirão da Ilha se unem para combater as enchentes no bairro. Publicado em 22.01.11 por Emanuelle Gomes. Disponível em: http://www.ndonline.com.br/florianopolis/noticias/moradores-do-ribeiraao-da-ilha-se-unem-para-combater-as-enchentes-no-bairro.html Acesso em setembro de 2011.

Freguesia no Ribeirão da Ilha é criada há 202 anos. Publicado em 19.01.2011 por Mané Gaivota. Disponível em: http://www.clicrbs.com.br/especial/sc/horadesantacatarina/19,0,3180342,Freguesia-no-Ribeirao-da-Ilha-e-criada-ha-202-anos.html Acesso em setembro de 2011.

Ribeirão da Ilha: Um Estudo através de Inventários (1860 – 1867). Trabalho de Conclusão de Estágio apresentado  ao curso de História no ano de 2006. Disponível em: http://www.pergamum.udesc.br/dados-bu/000000/000000000003/000003A7.pdf Acesso em setembro de 2011.