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Convívio Açoriano – Entrega Final (Felipe M, Elise, Jorge H.)

 

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Lançamento de Projeto do Conjunto Habitacional Convívio Açoriano – Elise, Felipe M, Jorge

“Como construir unidades habitacionais de alta tecnologia e baixo custo em uma área histórica como o Ribeirão da Ilha e utilizando tecnologias sustentáveis brasileiras?”

                Durante a escolha e estudo do terreno percebeu-se a grande influência estética e comportamental que a arquitetura colonial tem na freguesia do Ribeirão da Ilha. As residências coloniais possuem relação direta com o espaço público, quase como se a rua fosse o quintal das casas. Em seu interior, a cozinha apresenta grande importância, ela representa o ponto de encontro dos moradores, geralmente é o ambiente mais amplo e possui terraço próprio. Notou-se também a variação de uso dos ambientes em edificações com plantas baixas similares. Em determinadas residências, o mesmo ambiente varia de uso ao longo do dia para atender às necessidades de seus moradores. Quanto aos aspectos formais, o conjunto de edificações apresenta grande uniformidade e continuidade, com ritmo dado pelas portas e janelas com cimalhas coloridas. Além da importância que o complexo colonial tem no Ribeirão da Ilha, pode- se perceber que a relação dos moradores com o mar também deve ser destacada.                           Grande parte dos moradores do Ribeirão, como foi relatado nas etapas anteriores, retira seu sustento das atividades pesqueiras e principalmente a maricultura. Portanto, estes moradores vivem uma intensa relação com o mar, seja para observação das condições climáticas, para vigiar sua produção ou mesmo para o lazer, fazendo com que a maioria deles esteja habituada a estabelecer contato visual com o mar até do interior de sua casa. Quanto ao entorno imediato, o terreno se encontra numa área de encosta onde a mata nativa encontra-se praticamente intocada. A vizinhança consiste em residências de médio poder aquisitivo e todas elas se encontram em níveis mais baixos do que o terreno escolhido. Atualmente o terreno possui acesso pela Servidão Irani Antunes da Cruz, a testada Sul do lote. Vale ressaltar a proximidade do lote com o centro histórico do Ribeirão da Ilha e principalmente com a Igreja Nossa Senhora da Lapa, que pode ser avistada do terreno.

Diretrizes de Projeto (público alvo e estratégia)  

              A partir da observação destes aspectos locais e buscando solucionar a principal questão que dirige o desenvolvimento deste projeto (como construir unidades habitacionais de alta tecnologia e baixo custo em uma área histórica como o Ribeirão da Ilha e utilizando tecnologias sustentáveis brasileiras?) foram definidas as diretrizes.

             Conforme estabelecido na etapa anterior, o conjunto habitacional em questão deverá abrigar famílias de moradores do Ribeirão da Ilha e estudantes envolvidos com a maricultura ou outros aspectos da cultura local que desejem ser inseridos em uma família legitimamente Mané. Para que o conjunto habitacional possa abrigar famílias de tamanhos diferentes, optou-se pela implantação de três tipos de residência, que variam pela área, e podem abrigar famílias com 2 a 6 membros. Quanto aos estudantes, ao contrário do que havia sido definido na proposta anterior, serão abrigados na residência dos moradores nativos do Ribeirão, visto a intenção é inserir os estudantes na cultura local.

         A estratégia de desenvolvimento adotada busca principalmente reproduzir no conjunto habitacional a relação que as casas coloniais do Ribeirão têm com a rua. Não há espaço intermediário entre o “íntimo” da habitação e o “público” da rua, intensificando e incentivando a relação dos moradores com a vizinhança. Desta forma, todas as unidades habitacionais projetadas possuem contato direto com um grande espaço público, onde o morador poderá interagir com a comunidade. Além disso, a organização das residências no lote busca remeter a declividade original do terreno e criar terraços e áreas verdes que tornem o conjunto menos impactante na paisagem, até então intocada.

                A mesma relação entre espaços públicos e privados estabelecida entre a unidade habitacional e as áreas públicas guiou a organização dos espaços internos das residências, motivando o desenvolvimento de grandes áreas de estar (públicas) a partir das quais os demais ambientes se acomodam.

Implantação

           A insolação e ventilação, a vista para o mar e um desenvolvimento vertical que remete ao relevo original foram os principais fatores determinantes da implantação do conjunto habitacional.

Para que todas as unidades habitacionais recebessem a mesma insolação e ventilação, elas foram escalonadas no sentido horizontal. Além disso, o conjunto a maior fachada voltada para Nordeste, para que grande parte dos ambientes internos possa receber insolação durante quase todo o dia e estejam voltados para o vento considerado mais agradável em Florianópolis. Esta orientação também possibilita vista para o mar a partir de duas fachadas de cada unidade habitacional.

Para remeter ao relevo original, que possui certa declividade, as unidades foram escalonadas também verticalmente, fazendo com que a cobertura de uma residência sirva como terraço à residência de cima. Estas coberturas serão tetos jardim que melhoram o conforto térmico das casas ao mesmo tempo em que servem de espaço de convívio para os moradores das casas imediatamente acima

A intenção é de que estes telhados jardim conformem espaços públicos de estar e o principal acesso às unidades habitacionais que se encontram no mesmo nível do terreno.

O estacionamento para carros encontra-se separado das residências, inserindo o conceito de coletividade entre os moradores do conjunto. Uma praça implantada no nível mais baixo do terreno reforça a idéia de coletividade e promove mais uma vez um encontro da comunidade.

Planta Baixa

             Optou-se por desenvolver uma planta-baixa modular que permita com que a unidade habitacional se adéqüe a diversos tipos de família sem encarecer e dificultar o processo construtivo. Obtiveram-se então três variações de planta-baixa que se dão pelo acréscimo de um dormitório na habitação. A maior delas possui dois dormitórios, a média um dormitório e a menor, tipo kitnet, possui estar que funciona como dormitório por meio de seu fechamento com painéis de madeira nas horas de dormir. As residências com dois e um dormitórios também apresentam estar flexível, podendo conter três e dois dormitórios respectivamente.


               Os espaços internos foram organizados a partir de uma grande varanda que também funciona como a circulação principal da unidade habitacional. Uma circulação interna fica como opção ao usuário quando este necessitar maior intimidade.

A cozinha, elemento central na residência colonial, recebe a mesma importância no conjunto habitacional. O ambiente, além de amplo para possibilitar a comunhão da família, também se encontra integrado com a área de estar, favorecendo a interação dos moradores. Além disso, como é habitual na arquitetura colonial, a cozinha também possui acesso direto a um terraço de serviço, facilitando a realização das tarefas domésticas. A área de serviço foi disposta próxima a cozinha, concentrando as áreas de afazeres domésticos. O serviço também tem a finalidade de abrigar as ferramentas de trabalho dos moradores, envolvidos na prática de maricultura.

O banheiro foi disposto de forma que não interferisse na integração das áreas sociais e possibilitasse o acréscimo de “módulos dormitório”.

Desta forma, procurou-se obter uma unidade habitacional que reforça as relações familiares por meio de espaços integrados ao mesmo tempo em que motiva a interação com a vizinhança e a vida em comunidade através de varandas abertas e áreas verdes e terraços coletivos.

Técnicas Sustentáveis

 

  • Visando gerar menos impactos ambientais, o conjunto habitacional será implantado solto do terreno, tornando-o permeável.
  • O teto jardim foi adotado em todas as habitações para melhorar o conforto térmico em seu interior e possibilitar a redução do consumo de energia especialmente com aparelhos de ar condicionado e ventiladores.
  • Como Florianópolis apresenta altos níveis pluviométricos e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, a captação de água da chuva possibilita economia de água potável por meio da sua utilização em vasos sanitários e torneiras da rua. A intenção é de que os moradores do conjunto possam interagir diretamente com a água captada, por meio de espelhos d’água e tanques que circundam as unidades habitacionais. Assim, para que a água permaneça limpa para o uso de todos, será necessário que cada morador aprenda a “cuidar” dela, reforçando mais uma vez o conceito de coletividade na comunidade.
  • Aliada ao teto jardim, pretende-se utilizar como vedação OSB (placas de madeira) e EPS (plástico celular rígido), um conjunto de alta inércia térmica, que também favorece o conforto térmico das unidades habitacionais.
  • As áreas de estar abertas terão como proteção solar painéis móveis de bambu, um material abundante na região, que pode ser obtido a baixos custos e que se bem tratado pode durar até 25 anos.

 

Referência para modulo do projeto do conjunto habitacional

Referência de módulo para o nosso conjunto do Ribeirão da Ilha:

Para acessar o link clique [aqui].

Análise Arquitetônica North House