Arquivo do autor:aalinepires

Conjunto Freguesia – Pranchas Finais: Aline P., Carolina R., Julia M.

O grupo ARAM 1 organizou os detalhamentos em pranchas para melhor compreensão do projeto: Pranchas Finais: Conjunto Freguesia.

Anúncios

Conjunto Freguesia – Aline P., Carolina R., Julia M.

Conjunto Habitacional Freguesia do Ribeirão – Aline P., Carolina Rios e Julia Milan

Conceito Geral

Localizado na Freguesia do Ribeirão da Ilha e entendendo a região como um dos núcleos polarizadores da cultura açoriana e da maricultura, o projeto-modelo seria implantado como resposta às necessidades de preservação da cultura açoriana, como também à demanda de residências para os trabalhadores envolvidos na atividade.

Conforme o crescimento evidente e desordenado da ilha, percebemos a necessidade de uma habitação que seja destinada aos atuais moradores e seus filhos, que como já percebemos, estão aos poucos perdendo suas casas para restaurantes e serviços que atendam ao turismo.

Desta forma, buscamos como alternativa para manter os moradores no local: incentivar sua atividade de maricultura através de um centro de especialização na área e um conjunto de habitação social que de suporte a estes moradores e demais participantes dos projetos oferecidos pelo centro. Estes serão temporários nas habitações e estariam numa espécie de intercambio morando nas unidades com intuito de aprendizado e vivencia da cultura local.

O centro de educação açoriana se localizará no horto florestal Antonio Antunes da Cruz. As unidades de habitação em um terreno que está logo atrás da igrejinha e praça principal do bairro, tendo acesso pela servidão Irani Antunes da Cruz. Interligando o centro ao conjunto teremos um parque linear que criará uma extensão do horto florestal, passando pelo cemitério e chegando até o centro de saúde.  A partir do parque e interligado ás habitações teremos o suporte de ciclovia e sistema de VLT.

Unidades de Habitação Social 

No intuito de manter nossas diretrizes iniciais e não se afastar do formato conhecido das casas açorianas, tentamos manter uma linguagem próxima a já existente nas casas da região, porém com uma releitura modificando um pouco a forma e implantação, até mesmo para aproveitar mais da insolação e ventilação no terreno. Continuamos com a idéia de que a cozinha é um espaço importante da casa, como espaço de estar e convivência.

O terreno escolhido tem uma localização peculiar devido à proximidade da igreja e centro da freguesia, tem uma vista ótima para o mar, chega a aproximadamente 2900m² e atualmente está totalmente plano. Em nosso projeto numa tentativa de amenizar o impacto na paisagem e favorecer a vista das unidades habitacionais vamos reconstruir o relevo, porém vamos fazê-lo através de patamares de até 2,70m de altura.

Uma das dificuldades que encontramos em nosso terreno foi a proximidade do cemitério, que está justamente ao norte desta forma tivemos que trabalhar com uma direção dos módulos a noroeste desviar um pouco a vista, como forma de amenizar esta relação teremos também o parque linear que criará uma barreira visual para este lado.

Planejamos então implantar no terreno dezesseis unidades habitacionais, divididos em quatro grupos de quatro casas. Onde em cada grupo temos três casas para moradores locais e uma para moradores temporários; entre estas uma é totalmente acessível. Tendo no total, quatro unidades acessíveis, oito de dois pavimentos e quatro para participantes dos projetos oferecidos pelo centro.

As unidades são criadas em módulos para que possam ser implantadas em outros terrenos, desta forma elas podem ser reproduzidas tanto como o grupo de quatro unidades quanto como unidade individual, desta forma irá servir como modelo de urbanização para aquela região independentemente do terreno em que serão locadas.

Unidade 1 = área: 64m²

Unidade 2 e 3 = 64m²Unidade 4 = 48m²

Complementando o conjunto teremos um espaço para salão de festas que dará suporte também a caixa d’água, áreas de estar e convivência entre as unidades e equipamentos de uso público como mesas para piquenique, duchas, torneiras e etc.

Formalidade

Em nossos estudos e visitas identificamos como principais características das casas açorianas da freguesia, casas geminadas com plantas retangulares e alongadas compondo uma unidade nas fachadas, esta se reforça principalmente com a seqüência de janelas que formam um ritmo, gerando uma forte ligação da rua com a casa através das aberturas.

Com base nisso começamos a estudar formas com módulos de 4x4m e os compusemos em diferentes níveis para que de determinadas perspectivas o usuário relembrasse a  continuidade das casas açorianas geminadas. Apesar de estarem agora escalonadas e deslocadas, conforme a reconstituição do talude do terreno; assim tentamos criar um novo enquadramento da paisagem da freguesia do ribeirão adaptada a nossa área.

As aberturas serão também pensadas de forma a fazer uma releitura das casas locais, mantendo proximidade na forma e esquadria, porém diversificando no ritmo e composição. Terão papel importante para a ligação com o exterior, como vemos  em nossas referencias.

Fonte: homeandinteriors: located in Los Feliz, an affluent, hilly neighborhood in the Hollywood district of Los Angeles, California, by  Techentin Buckingham Architecture

Fonte: 173 Park Street Residence  designed by Greenwich-based studio Joeb Moore + Partners  (via freshome)

Um elemento que nos pareceu interessante para o conceito de casa modular foram os muxarabis como painéis moveis internos ou externos. Delimitando áreas da casa, são elementos muito interessantes por serem vazados e manterem uma permeabilidade visual e de ventilação, além disso, é um elemento que caracteriza a arquitetura luso-brasileira apesar de sua origem ser árabe.  A seguir temos alguns exemplos:

Fonte: http://www.casosdecasa.com.br/index.php/dicas-uteis/saiba-o-que-e-muxarabi-uma-linda-heranca-da-arquitetura-arabe/

Outra característica que decidimos manter, porém sob outro olhar, foi o telhado que tentamos remeter através de lajes inclinadas de uma água.

Fonte: http://lilianecamargos.blogspot.com/2009/01/casa-goiana.html

Fonte: http://www.innatu.com/

Estudos

Estudo da ideia geral: Desníveis:

(em PDF: Desníveis )

Divisão de grupos

O grupo Aram se dividiu (aaaaah!).

Sim, para realizarmos duas propostas distintas para nossas diretrizes. Mas antes completaremos nossa pesquisa com referências de casa modulares, com alternativas tecnológicas interessantes que nos apoiarão nos projetos.

  • Grupo 1: Aline Pires, Carolina Rios, Julia Milan.
  • Grupo 2: Elise Lacerda, Felipe Miranda, Jorge Souza.

Diretrizes

A partir dos questionamentos feitos foram decidas as diretrizes a seguir:

Quanto ao terreno inserido no bairro:

  • Construção de uma via para pedestres e bicicletas que conecta o Conjunto Habitacional proposto com o Horto Florestal, criando um Parque Linear ecológico que sustente a proposta;
  • O centro educacional estará localizado junto ao Horto;
  • Conexão do terreno com a Praça central e a Igreja a partir de Escadas, rampas e/ou elevadores;
  • Polarizador cênico: paisagem não tangível: Fundo da igreja: criação de um local arborizado atrativo aos moradores do bairro;
  • Possível intervenção na área do cemitério do bairro.
Quanto a unidade:
  • Unidades modulares e retangulares;
  •  Possibilidade de ampliação da unidade;
  • Conformidade espacial das casas açorianas: espaço mais importante: cozinha;
  • Trazer melhor condições de iluminação e ventilação às unidades açorianas.

Questionamentos para as diretrizes

Questão principal: como densificar sem “atrapalhar”? Como propor um crescimento de um bairro histórico sem agredir o entorno e sem haver uma invasão descontrolada do morro?

Pontos importantes para diretriz do projeto da unidade:

– Unidades modulares e retangulares;

– Possibilidade de ampliação da unidade;

– Conformidade espacial das casas açorianas: espaço mais importante: cozinha;

– Trazer melhor condições de iluminação e ventilação às unidades açorianas.

Idéias de urbanização do entorno:

1) Abertura de uma terceira via local interligando o terreno escolhido com o horto florestal, propondo um parque florestal em toda a área de contato com o Morro do Ribeirão. No horto estaria localizado a instituição de ensino integrado com o Conjunto idealizado.

2) Disposição das unidades entorno de uma praça de integração implantada no terreno escolhido.

INTEGRAÇÃO DO INTERNO COM EXTERNO: a abertura conversa com a rua, com o exterior, com o vizinho. 

Maricultura no Ribeirão da Ilha

Como mencionado anteriormente, desde o início da colonização açoriana no Ribeirão da Ilha as atividades pesqueiras se estabeleceram no local. Entre as décadas de 1970 e 1980, graças à especulação imobiliária e exploração turística que se desenvolveram em Florianópolis, houve intenso processo de urbanização, que provocou a disseminação de práticas pesqueiras industriais. Estas práticas logo foram se espalharam em outros pontos da Ilha, desestabilizando a comunidade pesqueira do Ribeirão da Ilha. Segundo o presidente da Associação de Maricultores do Ribeirão da Ilha, Ademir Dário Menezes, foi a EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – que percebendo a forte cultura marítima existente na região, introduziu a maricultura como alternativa de renda para os pescadores que já não conseguiam retirar o seu sustento da atividade pesqueira.

No início, poucos pescadores concordaram em se aventurar no desenvolvimento da nova atividade. No entanto, após menos de um ano, os primeiros a iniciarem o cultivo de mexilhões em cativeiro já estavam colhendo sua produção. Isso incentivou outros pescadores a se interessarem pelo projeto, que se estendeu também para o cultivo de ostras. Com o fortalecimento destas atividades, os antigos pescadores abandonaram definitivamente as atividades pesqueiras e a maricultura passou e a ser a principal fonte de renda e a atividade econômica do Ribeirão da Ilha, compondo uma cadeia de fazendas marinhas, restaurantes e pousadas que geram renda para grande parte da população local. Além disso, o fim das práticas pesqueiras industriais abusivas possibilitou a recuperação das espécies de peixes que estavam desaparecendo.

Segundo pesquisas, a maioria dos maricultores conta com mão de obra familiar. Quando há participação de externos, ocorre apenas nas fases de instalação e retirada da produção do mar. Tal participação familiar resulta em maior engajamento e resultados para o produtor.

Os maricultores do Ribeirão da Ilha relataram não ter dificuldades na comercialização dos seus produtos, e se encarregam eles mesmos desta atividade, sem necessidade de envolvimento de auxiliares. No entanto, eles ainda encontram dificuldades no escoamento de sua produção.

Visando facilitar a realização da atividade maricultora e a comercialização dos produtos, em 2001 foi criada a COOPERILHA – Cooperativa Aqüicola da Ilha de Santa Catarina. A Cooperilha atua produzindo, fornecendo e comercializando insumos necessários para a atividade; produzindo, padronizando, armazenando, higienizando e industrializando os produtos dos associados; apoiando pesquisas na área aqüicola e promovendo cursos de capacitação para os cooperados. Quando teve início, em 2001, a Cooperilha contava com 25 associados, atualmente são 39 cooperados participando ativamente. A criação da cooperativa vem facilitando o desenvolvimento das atividades maricultoras, buscando os interesses dos associados e, principalmente, melhorando a qualidade da produção.

Assim, o aglomerado de maricultura do Ribeirão vem sendo considerado um modelo de sucesso no Brasil. O envolvimento de instituições como o SEBRAE, a Universidade Federal de Santa Catarina, a UNIVALE (Universidade do Vale do Itajaí) e a EPAGRI possibilita aos produtores maior suporte técnico e o desenvolvimento de uma atividade sustentável e menos agressiva ao ambiente natural. Além disso, a realização de um plano de marketing vem colaborando para a agregação de valor do molusco produzido em Santa Catarina e consolidando um mercado consumidor do produto.

Com a crescente exploração da atividade maricultora, alguns produtores vem deixando de comercializar os moluscos no varejo e já voltam sua produção apenas para a exportação, o que pode fazer com que a atividade perca seu caráter familiar e até deixe de ser realizada pelos moradores do Ribeirão da Ilha. Assim, nota-se a necessidade de organização dos maricultores de forma que se mantenham no seu local de origem e estejam preparados para atenderem as demandas por moluscos.

BIBLIOGRAFIA

SILVA, José da. Um Estudo de Modelos de Gestão de Aglomerados de Maricultura para a Proposição de Arranjo Produtivo Local – APL na Baía de Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ, Brasil. Dissertação de Mestrado Profissional Multidisciplinar em Desenvolvimento Local. UNISUAM, 2008.

MAGALHÃES, Angélica; SILVA, Tânia Nunes da. Gestão Cooperativa com Foco na

Qualidade de Alimentos: Um Estudo Aplicado à Maricultura Catarinense. IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão, 2008.