Maricultura no Ribeirão da Ilha

Como mencionado anteriormente, desde o início da colonização açoriana no Ribeirão da Ilha as atividades pesqueiras se estabeleceram no local. Entre as décadas de 1970 e 1980, graças à especulação imobiliária e exploração turística que se desenvolveram em Florianópolis, houve intenso processo de urbanização, que provocou a disseminação de práticas pesqueiras industriais. Estas práticas logo foram se espalharam em outros pontos da Ilha, desestabilizando a comunidade pesqueira do Ribeirão da Ilha. Segundo o presidente da Associação de Maricultores do Ribeirão da Ilha, Ademir Dário Menezes, foi a EPAGRI – Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina – que percebendo a forte cultura marítima existente na região, introduziu a maricultura como alternativa de renda para os pescadores que já não conseguiam retirar o seu sustento da atividade pesqueira.

No início, poucos pescadores concordaram em se aventurar no desenvolvimento da nova atividade. No entanto, após menos de um ano, os primeiros a iniciarem o cultivo de mexilhões em cativeiro já estavam colhendo sua produção. Isso incentivou outros pescadores a se interessarem pelo projeto, que se estendeu também para o cultivo de ostras. Com o fortalecimento destas atividades, os antigos pescadores abandonaram definitivamente as atividades pesqueiras e a maricultura passou e a ser a principal fonte de renda e a atividade econômica do Ribeirão da Ilha, compondo uma cadeia de fazendas marinhas, restaurantes e pousadas que geram renda para grande parte da população local. Além disso, o fim das práticas pesqueiras industriais abusivas possibilitou a recuperação das espécies de peixes que estavam desaparecendo.

Segundo pesquisas, a maioria dos maricultores conta com mão de obra familiar. Quando há participação de externos, ocorre apenas nas fases de instalação e retirada da produção do mar. Tal participação familiar resulta em maior engajamento e resultados para o produtor.

Os maricultores do Ribeirão da Ilha relataram não ter dificuldades na comercialização dos seus produtos, e se encarregam eles mesmos desta atividade, sem necessidade de envolvimento de auxiliares. No entanto, eles ainda encontram dificuldades no escoamento de sua produção.

Visando facilitar a realização da atividade maricultora e a comercialização dos produtos, em 2001 foi criada a COOPERILHA – Cooperativa Aqüicola da Ilha de Santa Catarina. A Cooperilha atua produzindo, fornecendo e comercializando insumos necessários para a atividade; produzindo, padronizando, armazenando, higienizando e industrializando os produtos dos associados; apoiando pesquisas na área aqüicola e promovendo cursos de capacitação para os cooperados. Quando teve início, em 2001, a Cooperilha contava com 25 associados, atualmente são 39 cooperados participando ativamente. A criação da cooperativa vem facilitando o desenvolvimento das atividades maricultoras, buscando os interesses dos associados e, principalmente, melhorando a qualidade da produção.

Assim, o aglomerado de maricultura do Ribeirão vem sendo considerado um modelo de sucesso no Brasil. O envolvimento de instituições como o SEBRAE, a Universidade Federal de Santa Catarina, a UNIVALE (Universidade do Vale do Itajaí) e a EPAGRI possibilita aos produtores maior suporte técnico e o desenvolvimento de uma atividade sustentável e menos agressiva ao ambiente natural. Além disso, a realização de um plano de marketing vem colaborando para a agregação de valor do molusco produzido em Santa Catarina e consolidando um mercado consumidor do produto.

Com a crescente exploração da atividade maricultora, alguns produtores vem deixando de comercializar os moluscos no varejo e já voltam sua produção apenas para a exportação, o que pode fazer com que a atividade perca seu caráter familiar e até deixe de ser realizada pelos moradores do Ribeirão da Ilha. Assim, nota-se a necessidade de organização dos maricultores de forma que se mantenham no seu local de origem e estejam preparados para atenderem as demandas por moluscos.

BIBLIOGRAFIA

SILVA, José da. Um Estudo de Modelos de Gestão de Aglomerados de Maricultura para a Proposição de Arranjo Produtivo Local – APL na Baía de Ilha Grande, Angra dos Reis, RJ, Brasil. Dissertação de Mestrado Profissional Multidisciplinar em Desenvolvimento Local. UNISUAM, 2008.

MAGALHÃES, Angélica; SILVA, Tânia Nunes da. Gestão Cooperativa com Foco na

Qualidade de Alimentos: Um Estudo Aplicado à Maricultura Catarinense. IV Congresso Nacional de Excelência em Gestão, 2008.

 

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